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Quem era o messias do Twitter?

Assim que o Twitter se consolidou como fenômeno da internet, – sendo acessado por centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo e adotado por celebridades artísticas, políticas, religiosas e esportivas – passou a ser objeto de estudo a sociólogos, antropólogos e demais especialistas em comportamento humano.

Com mensagens limitadas a 140 caracteres e um sistema de seguidores para cada usuário, o microblog conquistou internautas devido à agilidade das informações, filtradas na página inicial da cada um, constando apenas mensagens emitidas pelos perfis desejados. Outra ferramenta é o registro dos termos mais utilizados nas postagens gerais, que figuram uma lista constantemente atualizada.

Desta forma, é possível obter, além de um ranking de popularidade dentre os cadastrados, uma relação dos assuntos mais abordados. Assim, uma pesquisadora estadunidense revelou que Barack Obama possuía o maior número de adeptos da rede – 3,5 milhões hoje – seguido de outras personalidades mundialmente conhecidas.

Entre os 20 primeiros colocados, chamou a atenção dela um brasileiro, não apenas pelo número de pessoas que o prestigiavam, mas também pelo tipo de assunto discutido. Tratava-se, segundo ela, de um padre, ou pastor, repleto de fiéis que estampavam o plano de fundo da página. Dizia-se impressionada em como aquele senhor havia conquistado tantos seguidores.

A pesquisadora também ficou admirada com a religiosidade de nossos internautas e com a forma organizada com que postavam a respeito da Bíblia, sempre identificando nas mensagens as respectivas subseções do livro.

Quando o resultado do estudo chegou ao Brasil, atiçou a curiosidade dos receptores. Quem seria o tal homem de fé?

A descoberta ocorreu quando traduziram as tais menções às divisões bíblicas, os coríntios. No idioma da estadunidense, “corinthians”.

O senhor tão aclamado era Mano Menezes, – hoje com 1,4 milhões de seguidores – técnico de futebol do time paulista. E os fiéis que estampavam o plano de fundo eram integrantes da fiel torcida corintiana.



Escrito por L. Ordoñez às 22h40
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Contas e contos

 

 

Estava eu, em casa, à frente do computador e de costas para a tevê. Ouvia um programa de debate esportivo que já terminava. Em seguida, uma firme voz começa a perguntar: “Você tem dívidas? Sua empresa não está rendendo o esperado? Precisa comprar um carro novo? Não agüenta mais pagar aluguel? Está com o nome sujo na praça?”.

Como havia passado boa parte daquela semana pesquisando taxas de juros em instituições diversas para uma matéria jornalística sobre economia, agucei meus ouvidos a fim de apurar quais eram as condições de parcelamento e quitação do empréstimo. Em vão, pois nada era especificado. Deduzi que as cláusulas desvantajosas estavam em minúsculas legendas repletas de números.

Ao girar a cadeira, tudo o que pude observar na tela foi um aglomerado de pessoas. Tratava-se de uma agência financeira extremamente popular e concorrida, claro. Afinal, parecia bem polivalente em relação ao mercado.

E eis que, finalmente, o anunciador ressurge. Dentro de um terno preto, o homem se move em direção à câmera, com ar tenso. “O mais importante: sem consulta ao SPC”, era o que faltava dizer. Ou “com juros baixíssimos no caso de empréstimos consignados a aposentados”.

Mas, em vez disso, ele passa a citar exemplos de mudanças radicais no estilo de vida daqueles que aderiam ao negócio. Então, além de grana, haveria algum tipo de qualificação e acompanhamento para a gerência de novas empresas.

Àquela altura, já estava tão intrigado que só me interessava saber qual era a instituição e quem seria o empreendedor que oferecia tantas garantias aos clientes. E o nome dele não demorou a ser citado. Aliás, a ser berrado. Era ninguém menos que Jesus. E perdoaria nossas dívidas assim como nós perdoássemos os que nos têm ludibriado. O businessman era pastor e os investidores davam a fé como entrada e parcelavam o restante no dízimo, em centenas de vezes (com juros e juras).

Pois é... Foi-se o tempo em que religião era apenas o ópio do povo em busca de clemência, paz espiritual e anestesia à dor. Hoje, também é o crack dos marginalizados e um trago de Malboro daqueles que anseiam trocar de carro, mobiliar o apartamento ou sair do cheque especial.

 



Escrito por L. Ordoñez às 04h22
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